maio 7, 2009 / No Comments » / by barraponto
No dia 7 de maio, dia seguinte ao workshop de EAD do GGEAD da Unicamp (ao que eu não fui), uma amiga pediu a minha opinião sobre EAD, mas eu “acidentalmente” distorci o papo para Comunicação. O que segue é uma copy-paste ligeiramente editada do meu log no gtalk.
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(09:22:51) lu fávero: Na verdade perguntei se vc foi pq qria saber sua opinião sobre ead…
(09:23:12) capi: EAD é que nem comunicação
(09:23:13) lu fávero: (curiosidade. e suas opiniões são deveras pertinentes, na maior parte das vezes)
(09:23:20) capi: qual sua opinião sobre comunicação?
(09:23:36) lu fávero: comunicação
(09:24:17) lu fávero: bom… (cara eu não sei dar minha opinião sobre nada. mas vou tentar)
(09:25:21) lu fávero: Comunicar, pra mim, é trocar e construir idéias.
(09:25:52) lu fávero: E essa é a definição que eu também daria pra educação.
(09:25:58) capi: legal.
(09:26:14) capi: eu tinha pensado, quando perguntei, que EAD engloba muita coisa. como Comunicação
(09:26:25) capi: (embora seja um sub-escopo dentro de Educação)
(09:27:05) capi: daà sei lá, vc pode adorar desenhar seus amigos pra se lembrar deles do jeito que você os imagina (comunicação) mas odiar a revista veja (comunicação).
(09:27:21) capi: mas aà sua pergunta acabou indo prum lado legal.
(09:27:43) capi: comunicar, pra mim, é construir um comum.
(09:27:53) capi: (etimologicamente chato)
(09:28:02) capi: mas o valente* que me deu essa idéia.
nota do editor >> o professor José Armando Valente, do curso de Midialogia da Unicamp
(09:28:12) capi: imagina que o que vc entende do mundo
(09:28:14) lu fávero: eu nunca tinha pensado essa palavra etmologicamente
(09:28:25) capi: é um conjunto (no sentido matemático)
(09:28:26) lu fávero: (fantástico!)
(09:28:35) capi: aqueles diagramas lembra, a bolinha?
(09:28:38) capi: então.
(09:28:39) lu fávero: aha
(09:28:50) capi: o que eu entendo (que é o que eu sei, o que eu imagino, o que eu sinto, enfim)
(09:28:58) capi: é outro conjunto.
(09:29:02) lu fávero: certo
(09:29:20) capi: mas como é o mesmo mundo e a gente usa (de formas bastante distintas) a mesma linguagem…
(09:29:28) capi: existe uma interseção.
(09:29:44) lu fávero: sim. e isso seria comunicar?
(09:29:49) capi: não
(09:29:55) capi: isso é o que nós temos em comum.
(09:29:58) capi: :)
(09:29:59) lu fávero: sim
(09:30:01) lu fávero: =]
(09:30:09) capi: usando isso…
(09:30:19) capi: tudo que tá aà nesse campo em comum
(09:30:38) capi: (eu to falando tanto das palavras quanto das sensações e das imaginações em si)
(09:31:05) capi: (e essa vontade de não separar uma coisa da outra faz lingüistas e semioticistas me maltratarem às vezes)
(09:31:40) capi: bom, usando isso que está na interseção, eu posso, através das minha habilidades comunicativas, tentar compartilhar uma outra coisa que não está nesse campo.
(09:31:51) capi: como um uso da palavra, uma sensação, uma imaginação…
(09:32:20) capi: o esforço de fazer isso eu chamo de comunicação.
(09:33:55) capi: (eu digo o esforço porque o sucesso é questionável, na medida em que não dá pra saber se nós estamos compartilhando mesmo, se o que existe do seu lado é o mesmo que do meu. mas pra fins de vida, eu acho que importa só um bocado, e se a partir disso existe disposição em você de me tratar como alguém mais próximo, então é pragmaticamente a mesma coisa, porque é como se tivésemos algo a mais em comum)
(09:34:47) capi: essa minha abordagem é ligeiramente não-cientÃfica. ligeira o suficiente pra eu poder ler ciência e aprender com ela, mas o suficiente pra eu ser indigesto pros cientistas.
(09:35:00) lu fávero: Meu, muito interessante essa abordagem do conceito. (não tinha pensado ele dessa maneira, embora o que eu imaginasse fosse mais ou menos isso)
(09:35:03) capi: por isso quando eu escrevo pra academia eu tenho que usar algum outro teórico e tal.
(09:36:11) capi: o engraçado é que o valente desenhou o diagrama na lousa, tentando me explicar o que era educação.
(09:36:42) capi: e quando ele marcou a área em comum eu pensei: porra, isso é comun-icação.
(09:36:55) lu fávero: Uou
(09:37:03) capi: e o legal dessa palavra
(09:37:16) capi: e que o “ica” tb quer dizer algo.
(09:37:25) lu fávero: oq ?
(09:37:25) capi: afinal existe uma diferença entre grafar e graficar.
(09:38:09) capi: eu não sei bem o que. me soa como se comunar fosse tornar comum, e comunicar fosse “tentar tornar comum com alguma estratégia premeditada”
(09:38:18) capi: ops, as aspas incluem o tentar.
(09:38:45) capi: o ica tá ali pra dizer que é um esforço para o qual se desenvolvem técnicas, estratégias.
(09:38:58) capi: (isso na etimologia que eu tirei do meu chapéu, claro.)
(09:39:09) lu fávero: E faz todo o sentido.
(09:39:14) capi: aliás isso tudo…
(09:39:50) capi: :) é eu fico esforçando meu pensamento pra sair de forma narrativa pra ser mais agradável, mas ele acaba sendo só mais convincente. e isso não tem nada a ver com ser verdade.
(09:39:59) capi: convincente =/= verdadeiro
(09:40:20) capi: então não ponha muita fé no que eu disse
(09:41:10) lu fávero: Eu ponho sim. Não porque é convincente ( e é, não vou dizer que não). Mas porque foi uma abordagem sobre a qual eu nunca tinha pensado.
(09:41:53) capi: seu argumento não vale, tem muita coisa que a gente não pensou (ainda)
(09:42:59) lu fávero: Vale sim. Não quer dizer que eu vá concordar com isso pra sempre. Quer dizer que eu vou refletir utilizando também essa abordagem à partir de agora.
(09:44:01) capi: é economicamente mais interessante vc me listar nas suas dúvidas do que nas suas fés. vai acelerar o processo de vc bater o que tiver a mão nas idéias (que não são minhas) e me por em dúvida também.
(09:44:17) capi: mas a gente tá querendo a mesma coisa dando nomes diferentes talvez.
(09:45:31) capi: (na real vc pegou uma época ruim pra conversar essas coisas comigo. até 2008, eu tava querendo bases pras pessoas se entenderem, mas hoje eu virei um radical da dúvida, igual o mauricius*)
nota>>Mauricius Farina, professor do curso de Midalogia da Unicamp
(09:47:18) lu fávero: A dúvida gera a comunicação (porque incentiva as pessoas a tentar tornar comum o que é particular)
(09:47:34) lu fávero: não me fiz entender, acho
(09:47:37) capi: a dúvida pra mim anda sendo meio que nem o clube da luta
(09:47:49) capi: a regra numero um é que não se fala sobre o clube da luta.
(09:48:10) lu fávero: ahhh (não assisti clube da luta. ia perguntar o porque)
(09:49:15) capi: vê quando puder, é divertido, vc acaba o filme querendo destruir alguma coisa. ou realizar sua libido de qualquer outra forma, criativa ou destrutiva. sei lá, é um filme afrodisÃaco apesar das imagens…
Posted in: Conversa, Polêmica
Tags: amigos, midialogia
maio 6, 2009 / No Comments » / by barraponto
um mês atrás, o sérgio amadeu me convidou a participar do Trezentos, o que me deixou super orgulhoso de mim mesmo, apesar de não ter estreado lá ainda. por volta dessa época, eu que já tinha percebido minha alvorada de energia e libido, sonhara com minha vocação: sem ter medo de nada (por inconseqüência, desapego e desejo), só me cabia a óbvia carreira de escritor. então fui me dedicar isso e eu juro que é mais do que postar micropoemas de 140 caracteres…
e aà eu senti falta do mal no coração meu blog da juventude (ha, sou adulto), documento das minhas primeiras descobertas do mundo (confesso, comecei a descobrir aos 14… e olhe lá). precisava me escrever pra me entender, me contar pra me sentir, pouco catársico que eu sou. e o mera falácia aqui me esperando…
então meu pensamento mais cibercultural vai pro Trezentos. bom, porque lá eu tenho 299 pessoas com quem debater, possÃvelmente um público maior, e eu tô bem afim de polemizar de verdade (só uns poucos autores vieram ler meus posts aqui). sem contar que meus 299 colegas (pelo menos os 30 que eu já conheci) são cabeças pensantes de qualidade. aqui vou registrar meus sentimentos (que jovem!) e alguns parênteses de cibercultura (que não cabem lá), e organizar meu material (resenhas, fichamentos, projetos, artigos).
pra completar, tive a epifania de contemplar o mundo. viver é morrer contemplativamente, mas antes de nos deprimirmos com a morte, deverÃamos estar contemplando intensamente. criar é a forma mais deliciosa (e verdadeira) de contemplar, e preenche nossa responsabilidade de protagonizar para a contemplação de todos. isso que é economia da dádiva.
até mais.
Posted in: Meta
Tags: esfarrapada, mera falácia
abril 14, 2009 / No Comments » / by barraponto
Então eu leio no barrapunto.com, agregador espanhol, que a Coréia do Sul aprovou lei que exige identificação de conteúdo subido para redes sociais, se este alcança 100mil visitas. Como você não tem como saber se vai virar viral ou não, o jeito é se identificar. Como retaliação a essa prática, a Google vetou o upload de usuários que se identificam como sul-coreanos. Calma, eles ainda podem subir, mas precisam declarar-se como cidadãos de outra nação, no serviço.
E isso não é mera picuinha cÃvica. A Google conhece seus usuários, sabem que eles acessam Orkut onde é proibido via proxy, confiam que uma censura tão simples será contornada em segundos — e declarando-os de outra nação, a Google não está mais sujeita a ações de controle ou mesmo ao retorno: caso o Governo Sul-Coreano venha a fazer perguntas, a empresa simplesmente responde “é proibido subir do seu paÃs, não pode ser daÔ. Ela está combatendo a atitude do paÃs, incentivando os cidadãos a contornarem essa tosquÃssima lei, mas ao mesmo tempo lavando suas mãos, onerando-se menos com auditorias e o mais.
Tempo atrás, a Google (de novo) hospedou no Blogger páginas do governo de Ossétia, já que os servidores desta caÃram frente ciber-ataques da Rússia. Mas na tecnologia de redes, a Rússia não é páreo para a Google. Sim, uma empresa sozinha (ou quase) peita a Inteligência Russa pós-KGB. E não é a primeira vez na história que uma empresa intervém tão diretamente, por práticas de comunicação, na vida polÃtica de um paÃs. A Real Networks interviu deliciosamente em Sarajevo, criando canais de web-rádio e levando equipamentos e técnicos — em pleno bombardeio. Deve existir tanto exemplo que eu só posso ir somando no meio dos comentários. Este post é só pra lembrar o papel desses grandes jogadores na polÃtica, em paÃses democráticos ou não (como as crises internet-escas China).
UPDATE: aparentemente, existe uma oposição forte ao governo sul-coreano presente na web, que pressionavam-no a respeito da importação de carne americana. Após alguns afastamentos, os partidoscomeçaram uma discussão do controle da Web, sob o pretexto de discutir cyber-bullying e difamação. O código penal do paÃs já cobre difamação e bullying, mas o Governo quer punir mais severamente esses crimes quando cometidos e registrados na rede. Lembra algo que está acontecendo no Brasil.
Posted in: Original, Polêmica, Rápida
Tags: cibercultura, economia, polÃtica
abril 12, 2009 / No Comments » / by barraponto
Pra começar, eu entendo menos sobre games do que eu gostaria de entender. Muito menos. Pra ser sincero, acho que não li nada de concreto sobre o tema. Artigos, crÃticas, jogo muito, mas me falta ainda uma leitura profunda. Ainda assim, algo me chamou a atenção neste artigo do Clive Thompson para a Slate:
So, on a simple level, games like Rising Sun cater to fantasies about a particular type of mayhem. They provide an excuse to mess around with vintage AK-47s, much as Star Wars games allow you to finally get your hands on a light saber. But after a while, the fantasy element fades, and all you’re left with is gameplay. When I play Battlefield 1942, I’ll actually lose track of whether I’m technically supposed to be Soviet, German, or American. I’m too busy blowing the crap out of the guys in differently colored uniforms.
This leads to a surprising facet of game psychology: Really hard-core gamers often look past the cultural “content” of a game. They’re mostly worried about a more prosaic concern, which is whether the game is fun. The geopolitics of a game melt away as players, like philosophers musing on their favorite platonic solid, ponder gameplay in the abstract.
Clive imagina, separados, o contexto histórico do jogo e sua jogabilidade. Esta funciona como estratégia imersiva e ao mesmo tempo como laboratório: é aà que o jogador experimenta e brinca com as regras, as metas e as engines. E essa experimentação eclipsa o contexto: um gamer, durante o jogo, preocupa-se mais com a estratégia, os controles e o andamento da missão do que com a derrota dos Aliados e a resistência de Berlim. E então o colunista provoca: “pacifistas podem argumentar que, tornando a guerra em fÃsicas legais e controles de inventórios, os games podem des-sensibilizar-nos para a violência”.
Eu me senti um pouco incomodado com a separação forma/contexto do Clive Thompson. É interessante observar esse argumento em polêmicas como a do RapeLay ou do Carmaggedon. Sobre o primeiro, li recentemente as dores dos crÃticos de mÃdia, jogadores, polÃticos, na hora de interpretá-lo: como julgar um questionavelmente divertido simulador de estupro? De um lado, jogadores que separam mundo real e fantasia virtual. De outro, a preocupação séria de Leigh Alexander: RapeLay retrata a cultura chikan, dos pervertidos do metrô japonês, que afeta quase dois terços das mulheres japonesa; e ainda fantasia sobre consensualidade feminina no cenário de estupro (elas acabam gostando, gozam). Se aqui, o contexto é incômodo, a jogabilidade não difere do eroge convencional — e é assim que ele vai ser lido pelos jogadores interessados. Não gamers, argumenta Clive Thompson, não enxergam o jogo, mas apenas o teatro contextual dos personagens e do cenário.
Essa separação, insisto, é forçada pelos crÃticos. A experimentação no jogo é fundamental, é a razão de ser do meio: é que difere Harry Potter Livro de Harry Potter Jogo. Mas aà também eu percebo que existe uma imaginação do desenrolar, antecipando ações, criando expectativas, criativamente imaginando o que o personagem faria. É o clássico “CUIDADO, ATRÃS DE VOCÊ”, gritado na frente da tevê, em qualquer filme de suspense. A diferença no jogo é que ele é o espaço para essa experimentação, embora limitado pelo programa e pelo roteiro do jogo (não se pode matar a Zelda).
O que me leva a crer que o gamer nunca esquece o contexto, mas trata-o como experimentação, como brincadeira mesmo. Não se quer matar a princesa Zelda de verdade, mas seria interessante imaginar a história caso o Link resolvesse se aliar a Ganon. Knights of the Old Republic te dá essa liberdade (embora ainda limitada pelo roteiro), RPGs de mesa, aqueles com fichas e um mestre-narrador, são o campo fundamental para essa experiência. E mesmo aÃ, por limitações de tempo e paciência, os jogadores se esforçam em manter uma história.
E se o jogador não se importa mais com a vitória do Eixo em Berlim, é porque já se propôs a realizá-la; em seguida vem a dura tarefa de derrotar os russos, que nos entretém durante longos perÃodos. O quanto da proposta fica naturalizada, preservada em nossas mentes, é que precisa entrar em jogo — literalmente. Vencer um cenário matando os oponentes é uma solução quase óbvia, passar o mesmo cenário só se escondendo e se esquivando, exige mais esforço e algum esforço no design (parabéns ao Metal Gear Solid por realizar o desafio com sucesso). E isso coloca em questão a moral do protagonista: ele é um genocida? Um herói taciturno? E existe aà um espaço delicioso para se trabalhar o Game Design.
Posted in: Polêmica
Tags: estrangeira, videogame
abril 11, 2009 / No Comments » / by barraponto
It is tempting, but too easy, to say the problems of newspapers are their own fault. True enough, the industry missed a whole armada of boats. If newspapers had been smarter, or moved faster, they might have kept the classified ads. They might have invented social networking. But that’s all hindsight. I didn’t think of these things, nor did you. Judging from Tribune Co., for which I once worked, the typical newspaper executive is a bear of little brain. Until recently, little brain was needed. Even now, to say the newspaper industry has no problems that a busload of geniuses couldn’t solve is essentially saying that the industry’s problems are insoluable. Or at least insoluable without help.
Formação em jornalismo, economia, tecnologia, midialogia, nada, mas nada mesmo é capaz de colaborar com uma indústria onde quem ousa fica de escanteio e quem só balança a cabeça vira o chefe ursinho descerebrado. Parabéns cultura organizacional do medo e do receio, foi assim que a Indústria Cultural perdeu quantos barcos podia perder nas novas TIC.
Este post é um desabafo da minha experiência estagiando na Universidade no ano passado, e a citação veio de um artigo muito rico do Michael Kinsley, pro Washington Post.
Posted in: Rápida
Tags: economia, estrangeira