à margem das multidões vociferosas

vai-se o tempo de reclamar das massas silenciosas. o correio que iniciou conversas capitais entre pensadores intelectuais e ativistas ganhou o reforço da rede telefônica inclusive celular, das listas de email, redes sociais, câmeras digitais e blogs/microblogs. voz é o que não falta. minorias podem fazer sua própria agenda de atividades, suas próprias palavras de ordem (que perderão pouco a pouco seu espaço), construir seus próprios espaços. tudo isto mina pouco a pouco a democracia representativa, mas pode levar a um futuro ainda mais saudável. otimismo, claro.

o resultado de uma eleição para o executivo pode ser questionado e recontado, mas essa é uma falsa esperança das multidões que se organizam. por baixo da disputa, existe uma certeza: a do dissenso. se proíbirem o cigarro, continuarão fumando, se proibirem o peer-to-peer, continuarão compartilhando cópias digitais… mas as multidões não querem se esconder, querem reivindicar seu direito a ser. seria a democracia a ditadura da maioria? representantes mediavam a negociação, mas não há mediação para o inegociável. a deliberação democrática (representativa) cederá espaço para a organização do espaço. áreas de livre fumo, ciclovias, pirataria… algo parecido com o cenário urbano que já existe. mas legitimado por marchas, passeatas, resistências. o que cai com a democracia representativa é a ilusão de consenso. essa falsa idéia de uma ordem estabelecida ou a se estabelecer.

a gestão dos bens e recursos públicos, nesse modelo, exigirá negociação e investimento. é importante trabalhar nestas multidões uma desilusão para o mercado: embora garantia de livre iniciativa, não procura de forma alguma um bem que não seja seu próprio desenvolvimento lucrativo. é mais sábio, inclusive porque se torna cada vez mais educada toda multidão, negociar a gestão dos bens, controlar seus desusos e abusos, e cultivar as diferenças.

confesso temor a respeito deste último tópico. a democracia nos treinou para diminuir outras formas de pensar, ridicularizar seu discurso, debater fechados e repetindo palavras de ordem. nada que vá ser útil quando todas as vozes estiverem em jogo. confio na negociação espontânea que às vezes emerge. no diálogo interpessoal, porque não se trata mais de partidos ou de pessoas jurídicas, mas de humanos, cada um deles. uma outra educação se faz necessária, uma educação cidadã que prescinde de mediadores, de instituições burocráticas não-orgânicas, de delegação das faculdades mentais e sociais. e esta educação pipoca aqui e ali. isso dá esperança.

This entry was posted on segunda-feira, junho 22nd, 2009 at 8:41 am and is filed under Original. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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One Response to “à margem das multidões vociferosas”

Falcon setembro 21st, 2009 at 12:21 am

Hm.. o texto aparece todo desconfigurado aqui…
Pelo menos hj eu vim pra deixar um sinal de fumaça…
Como vai, meu caro?

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