em defesa da Ética da Rede
Estou louco pra usar o termo “Network Nation”, que Eric Raymond usa no artigo A Brief History of Hackerdom, para nomear as redes que nasceram pré-internet entre computadores rodando Unix. Mas o que interessa aqui é o fato de que existia uma vanguarda de cultura tecnológica, acertando atividades e atitudes para criar essas Nações, esse terreno.
Essa vanguarda ainda existe, embora geração após geração elas mudem muito em natureza. Os primeiros usuários do Orkut eram uma camada dessa vanguarda, e essa turma criou uma cultura ali, que foi se manifestar no “beija ou chuta o perfil acima” e na comunidade Discografias, um dos maiores esforços coletivos que eu já vi na cibercultura brasileira.
Então aparece um hacker que faz um script para o Twitter, permitindo seguir muitas pessoas, já que “de 100 pessoas que você segue, pelo menos 50 delas vão te seguir também”, bloga o autor Danilo Salles, “isso é fato”. E já vem a crÃtica, preocupada com o efeito sobre essa mesma cultura de seguir, de valorar um usuário pelo seu número de seguidores. E ainda mais, de uma forma muito sincera, preocupa-se com a redução da cultura interconectada, das conversas transversais, à uma cultura massiva/broadcast, papo de carro de som de sindicato, em que todos fingem que lêem e que são lidos. Vou citar o crÃtico que eu li: o Neto, do Não Conte pra Mamãe e colaborador no CoxaCreme (onde o li pela primeira vez).
assim, aos poucos, lá se vai a via de duas mãos do Twitter. (…) Inflar artificialmente o número de seguidores tem apenas essa função: transformar o que era diálogo, em monólogo.
E isso não é chororô, é muito sério. A Internet, principalmente a Web, é a pátria-mãe de muitas culturas, algumas antagônicas, como os “conversadores” e os “massificadores”. Existe espaço para todos, mas o atrito é inevitável. Confiar na contagem de followers perde lugar pela prática de alguns, mas ao mesmo tempo os números menores servem para reconhecer os puristas (alguém se lembra dos “legits” da Battle.net?). O uso de scripts é uma cultura muito bem-vinda à rede, com todos os seus usos. Eu gosto muito do Userscripts.org, repositório de scripts para Greasemonkey.
A Ética das Redes é menos simples do que preservar as conexões e seus valores. É entender-se como território de experiências, com toda sua diversidade de usuários, e confiar que todos saberemos nos guiar nesse caos tranqüilo que é a rede. Followers não se abatem do imposto de renda, e um número que não representa seus leitores, não vale sequer como número. E a� Aà quem quer seguir esse modelo, quem quer seguir o outro, valem as culturas e os scripts diferentes.
This entry was posted on sexta-feira, abril 10th, 2009 at 1:59 pm and is filed under Polêmica. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

