sobre as Gerações, parte 1

Go through your first big breakup and you may need to change your status on Facebook from “In a relationship” to “Single.” Everyone will see it on your “feed,” including your ex, and that’s part of the point.

É o que me lembrou a Emily Nussbaum, da New York Magazine, em seu Kids, the Internet and the End of Privacy: The Greatest Generation Gap since Rock and Roll. Esse artigo me chegou pelo blog da Adriana Amaral, veio na lista de leituras dela, e espero que ela tenha lido. Quero ver a opinião dela sobre esse generation gap:

It’s been a long time since there was a true generation gap, perhaps 50 years — you have to go back to the early years of rock and roll, when old people still talked about “jungle rhythms”.

Rock e Internet tinham tudo a ver com estar na moda. E com revolta e tal. Mas e com educação e emprego? Esse gap faz uma geração lidar com elementos que a outra não compreende (com todas as exceções). Confesso que mesmo sendo acadêmico, tenho problemas em largar os feeds pra encarar os livros. Enquanto isso, meus professores de cibercultura até publicam na web, mas não estão ainda à vontade com HTML. E só o Sérgio Amadeu tem twitter.

Daí começam as questões morais entre as gerações. Tem quem pense “You didn’t behave like that because nobody gave you the option” mas alguns assumem “Without any meaningful standard by which to measure our worth, we turn to the public eye for affirmation”. Me lembra A corrosão do Caráter, onde o autor Richard Sennett preocupa-se com a confusão que a fluidez traz a tona, esse não saber o que fazer para alcançar o sucesso em uma carreira que pode mudar de curso abruptamente. Nussbaum diz o mesmo, quando vê o sextape da Paris Hilton (ou Cicarelli) virar publicidade e sucesso.

Voltando à escala da web, isso confunde um pouco outras gerações. Não se trata, essencialmente de publicidade. É bom saberem como somos. Se alguém não tolera vegetarianos, melhor que fique longe mesmo. E, principalmente, se alguém quer fuçar em Software Livre como eu, melhor se vier ajudar logo! Claro, tem toda a maquiagem da publicidade, todos são bonitos em fotos de Orkut, e todos são filósofos na descrição (todos exceto os miguxos). Mas todos expostos. “Why not? What’s the worst that’s going to happen? Twenty years down the road, someone’s gonna find your picture? Just make sure it’s a great picture”.

A próxima sacada do artigo é mais legal ainda: não existe privacidade (caso você não tenha reparado ainda). A geração nova assume a audiência, enquanto a anterior finge não ligar pras câmeras de segurança, ou pro Google. E a geração web pensa a audiência, o que complica tudo. Porque a linha entre vida e espetáculo se borra: como posso postar o que penso sem perder audiência? Meu post está longo demais? Nós ciborgues, não sabemos o que é inocência. Tudo é premeditado.

In essence, every young person in America has become, in the literal sense, a public figure. And so they have adopted the skills that celebrities learn in order not to go crazy: enjoying the attention instead of fighting it — and doing their own publicity before somebody does it for them.

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This entry was posted on sexta-feira, fevereiro 6th, 2009 at 1:00 am and is filed under Polêmica. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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3 Responses to “sobre as Gerações, parte 1”

bruno_neyra fevereiro 6th, 2009 at 4:16 am

eu não queria fazer outro artigo em partes, mas o texto dela é enorme demais pra lidar numa só…

Rodrigo van Kampen fevereiro 6th, 2009 at 12:41 pm

Artigo em partes é bom. Mas eu curti, quero ver a segunda parte antes de comentar.
Vi no twitter a frase. "É incrível como os que estão mais preocupados com o Google Latitude são aqueles que fazem toda semana o mesmo circuito casa/trabalho/escola/mesma balada."

Não digo que essa geração não liga para a privacidade. Acho antes que ela vai ressignificar a privacidade, que antes era "maior" (embora escala não seja uma boa forma de definir isso). Continuaremos tendo momentos "privados". E esses momentos passarão a valer infinitamente mais.

Estamos todos expostos. Mas é uma questão de tempo até aprendermos a lidar com essa exposição. A máxima "faz que quer" vai continuar valendo.

Eu até queria dissertar mais sobre o assunto, mas agora estou no trabalho e não vai rolar. Escrevi algo sobre um assunto meio paralelo no http://navegandosonhos.blogspot.com

Abraços!
Rodrigo

adriana amaral fevereiro 7th, 2009 at 3:07 pm

Olá, eu li o texto sim, mas como ele é imenso precisaria de tempo pra analisar tudo e não dei. Gostei muito das descrições do texto sobre a relação entre as gerações que é bastante complicada. Eu sinto isso em relação aos meus pares tanto qto aos meus alunos. Me sinto inbetween… Eu gosto dos livros e gosto do RSS. Acredito que o ponto central seja a ideia de que a privacidade é mesmo uma ilusão e a questão de estar alerta para a audiência, isso é o que diferencia uma geração da outra e saber lidar com as fronteiras disso é o grande desafio.. enfim, só pra comentar um pouco.. em tempo, tem mais profs que usam o twitter rs

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